segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Meu primeiro assédio: O dia em que meu desespero fez um homem gozar.



Eu era apenas uma criança de 12 anos quando tive minha inocência roubada por um homem de trinta e poucos. Naquele momento a única coisa que importava para ele era o tesão que sentia em ouvir meus gritos que eram ocultos por uma porta fechada e paredes em volta de nós.

Eu me lembro bem daquele dia… como eu poderia esquecer?! Mesmo tendo passado cerca de 17 anos, ainda há momentos que estou deitada tentando dormir, mas meus gritos ainda ecoam dentro da minha cabeça e isso me sufoca por alguns segundos onde consigo reviver toda a situação horrível pela qual passei.

Era uma manhã de sábado, minha mãe pediu para que eu fosse até a escola onde ela trabalhava como supervisora e levasse um material da minha tia para fazer encadernação. Nessa época a escola alugava uma salinha para um rapaz e ele tirava xérox, fazia encadernação… dentre outros serviços de papelaria. Eu conhecia ele, ele era legal comigo, sempre conversávamos, ele dizia que eu era muito madura para minha idade e me enchia de elogios. Obviamente eu nunca percebi que ele queria algo à mais com toda essa falácia, até porque eu era só uma criança e não tinha maldade alguma sobre absolutamente nada.

Chegando lá, percebi que por ser sábado não havia ninguém na escola e então me dirigi até a sala de xérox desacreditando que houvesse alguém trabalhando ali. Quando abri a porta me deparei com ele que estava sozinho dentro da sala. Eu era uma menina de 12 anos, mas aparentava ter 8 anos, meu corpo não era nada evoluído e eu estava com uma roupa de vestir em casa. Para ser mais específica: eu usava um shortinho e uma camisetinha, mas quando me viu, me olhou como seu eu fosse uma atriz pornô!


Assim que entrei na sala pude perceber que os olhos dele arregalaram como se tivesse surpreso por estar me vendo ali. Claro, era a ocasião perfeita! Ele me perguntou o que eu estava fazendo ali e eu disse que havia levado um material para encadernação. Ele levantou e se dirigiu até mim, eu estava perto da porta e ele foi até ela e a chaveou, então em seguida me agarrou com tudo, me colocando contra seu peito, tentando me beijar à força. Eu não tinha força suficiente para sair e só conseguia virar meu rosto, era a única forma de me esquivar dele além de pedir para que parasse e perguntar porque ele estava fazendo aquilo comigo. Mesmo assim ele continuou me forçando à beijá-lo, eu mordi os lábios dele e tentei abrir a porta mas ele não deixou, então eu corri para o resto da sala que não tinha nenhuma saída para mim, mas naquele momento qualquer distância era lucro. Ele veio em minha direção e me jogou em cima da mesa, me deitou e pressionou meu corpo contra a mesa com a mão. Eu chorava, desesperada pedindo para que ele parasse com aquilo e me deixasse ir embora, ele tampou minha boca e então me disse com uma voz suave:Calma, porque você tá chorando assim? Não precisa disso! Eu sei que você tá gostando. Não adianta chorar ou gritar, não há ninguém que possa te ouvir, não tem ninguém além de nós dois aqui.” Em seguida ele tirou meu short e depois colocou seu pau para fora, eu fechei os olhos, não queria ver aquilo. Eu sabia que tudo aquilo estava errado, no momento eu estava paralisada pois não sabia o que estava por vir, eu só conseguia sentir medo e o desespero tomava conta de mim. Já ele, por sua vez estava muito calmo e demonstrava muita excitação com tudo aquilo. Eu vi claramente que o meu desespero alimentava o seu tesão.

Ele começou a se masturbar enquanto eu me mantinha chorando, paralisada e cheia de medo. Ele por diversas vezes tentou usar minha mão para masturbá-lo mas eu me recusei, tirei a mão várias vezes e ele continuou sozinho. Ele então me sentou de frente para ele e continuou se masturbando, eu me mantive de olhos fechados e ele disse: “Abra olhos, quero que você veja!”
Eu voltei a pedir para que ele me deixasse ir embora, e então ele ejaculou em cima dos meus pés. No fim, ele disse que eu podia ir embora.

Em momento algum pediu para que eu não contasse à ninguém ou coisa assim. Ele sabia que eu não contaria, ele viu que eu estava num estado de pânico, estava tão assustada que só chorava e pedia para ir embora. Ele sabia o quão traumático aquilo havia sido para mim e sabia que eu jamais falaria sobre aquilo com alguém.


Eu saí dali desnorteada, meus pés grudavam em meu chinelo, eu estava sentindo um mix de nojo e só queria chorar por ter passado por aquilo. Fui para casa, chegando lá levei a maior bronca da minha mãe por conta da demora. Ela nem sequer percebeu meu semblante, apenas brigou comigo por conta da demora e eu ali com os pés grudando de porra e a cabeça à mil.


Depois daquele dia eu nunca mais fui a mesma, eu nunca mais acreditei em elogios, eu nunca mais confiei em ninguém. Eu sempre me lembrava daquilo e mantive isso guardado até poucos meses atrás. Até então somente meu esposo e minha psicóloga sabiam do ocorrido, porém eu resolvi chegar aqui e contar o que me aconteceu naquele dia, sem medo para que vocês mulheres também possam compartilhar suas histórias sem medo ou vergonha. A culpa não é nossa, nunca! 


Mulheres, saibam que estamos todas juntas em nossa luta, não vamos calar nossas vozes. Somos fortes! Denunciem qualquer ato de assédio ou violência sexual, não se calem. E mulheres que assim como eu, passaram muitos anos convivendo com a dor do ocorrido, conversem com outras mulheres, compartilhem suas histórias, busquem terapia e qualquer forma de ajuda. Eu sei como dói conviver com isso por tanto tempo, sei o quanto isso nos destrói. Mas vale lembrar que somos fortes, somos guerreiras e estamos aqui para quebrar todas essas barreiras. Nós por nós, sempre! 



3 comentários:

  1. Parabéns por expor tua história assim. Vc é muito corajosa e escreve muito bem.

    ResponderExcluir
  2. Que relato, meus amigos... que relato!

    ResponderExcluir
  3. Lendo esse relato dessa mulher, senti vontade de contar o meu caso.
    Apesar de ser Homem, também fui forçado a masturbar outro homem quando tinha meus 12 anos. Ele aparentava ter no mínimo 25 anos, e junto com mais 3 rapazes na faixa de 18 anos, me pegaram e forçadamente me levaram a um local reservado. Esse homem mais velho estava vestido somente com um sobre tudo, e ao abrir mostrou seu pênis ereto e me fez alisa-lo.
    Os outros 3 rapazes so fechavam o círculo para que ninguém visse o que estava acontecendo, e me davam ordens para masturbar o seu líder.
    Hoje tenho 50 anos de idade e a unica pessoa que sabe disso é minha psicóloga, e agora quem ler esses relatos.
    Existe pessoas de mal caráter que não se importam em abusar de crianças seja menina ou menino.

    ResponderExcluir