quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

A TRANSIÇÃO CAPILAR ME AJUDOU A ME ACEITAR COMO MULHER NEGRA. ✊


Nos últimos tempos, o (assunto) transição capilar acabou virando uma febre; na internet, mas poucas pessoas falam sinceramente sobre o assunto. O que mais vemos, é uma chuva de conteúdos sobre produtos e muito pouco sobre o que é realmente passar por tudo isso, o processo de aceitação, as dificuldades e o principal, não existe glamour em passar por tudo isso.
Mas quando você é uma mulher negra de cabelo cacheado ou crespo, os comentários são bem mais ofensivos, atrelados também à cor da pele. A (transição) capilar, foi um marco na minha vida e me ajudou bastante no meu processo de empoderamento (um processo lento que vai muito além da estética capilar), aceitação e amor-próprio. Depois que assumi o meu cabelo, aprendi a me ver como uma mulher que não precisa se prender a nenhum estereótipo!

Decidi começar a minha transição Capilar por vários motivos! Um deles era o fato de não aguentar mais ser dependente da Prancha e Escova, dos produtos de alisamento fortes que chegavam ate queimar o meu couro cabeludo, das horas perdidas fazendo prancha, dormindo de touca pra não amassar o Cabelo, do medo e vergonha de ir a uma praia ou piscina e ter que molhar o cabelo, do medo de sair em Dias chuvosos, e em dias muito quentes. Uma série de coisas e motivos que eu já não aguentava mais enfrentar.
Outro motivo é que tenho um longo histórico de rejeição a química, meu cabelo não crescia bem, vivia quebrando, mesmo com todos os cuidados possíveis. 
Fui dependente da prancha e dos produtos químicos a 16 Anos da minha vida… Muito tempo, sofrendo e com vergonha da minha raiz. Sempre colocava implantes no cabelo pra conseguir ficar o Padrão Cabelo liso, Monalisa. 
Quando comecei a assistir alguns vídeos no YouTube, ver alguns depoimentos de transição capilar, e frequentar lugares Black, comecei a ter vontade de cuidar do meu próprio cabelo; Ao olhar aqueles cachos lindos, lembrei de quando era criança, pois, o meu cabelo era dez mil vezes mais solto do que ele é hoje, foi então que tive esperanças que tudo isso pudesse dar certo. Tomei coragem, respirei fundo e aos poucos Junto ao meu namorado que hoje em dia é meu Noivo, comecei a retirar ca8da mecha de implante que tinha ao meu Cabelo! Peguei a Tesoura e fui cortando todo o cabelo destruído e deixei apenas 2 dedos da raiz. No começo, eu não sabia bem o que fazer, prendia sempre em coques ou rabo de cavalo, até que (conheci) as texturizações, Bigudin e Coquinhos, e passei a usar meu cabelo texturizado. Investi também em tiaras que ajudam a disfarçar a diferença de texturas.
Não tem nada mais satisfatório do que olhar seu cabelo se desenvolvendo saudável e livre das agressões que sofria antes. A principal sensação é de liberdade, porque na minha vida eu não tinha lembranças de achar meu cabelo natural bonito, mas quando os vi crescendo, vi que são lindos e aprendi a valorizá-los.
No começo foi bem difícil, muito difícil minha auto estima estava abalada demais e eu estava grávida do meu filho Caçula, eu me olhava no espelho via meu corpo mudando, via o meu cabelo todo destruído, ressecado e caindo por conta do implante e produtos fortíssimos que eu aplicava.
Fiz o Bc! AHHHHHHHHHHHHHH, COMO EU ME SENTI LIBERTA QUANDO FIZ O BC.
Bc feito, comecei a comprar os cremes da SalonLine, comecei os tratamentos certinho e logo deu pra perceber a diferença entre 2 ou 3 semanas! 
Meu homem, como eu AMO aquele homem, sempre me elogiando, cuidando do meu psicológico, me ajudando na transição. Por enquanto que eu cuidava do meu cabelo, da minha auto estima, ele cuidava de mim… 
Com certeza, não foi só o cabelo que mudou, foi minha vida, a forma de me ver e de ver o mundo. Principalmente depois do BC, a minha forma de pensar mudou muito. Amo meu cabelo do jeito que ele é, independente da opinião das pessoas. Aliás, das outras pessoas, o que eu mais recebo são elogios.

Em menos de 1 Ano o meu cabelo estava enorme, com os Cachos bem hidratados, fortes e definidos! Toda vez que eu me olho no espelho eu tenho a certeza que a transição Capilar foi a minha melhor e maior escolha.
Quando você se sente bem consigo mesmo, você transparece isso para as pessoas. Aceitação é tudo!
By: Adm da página - Paula Rooxo

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

EU NÃO QUERO TER FILHOS E VOCÊ NÃO TEM QUE SE METER NA MINHA ESCOLHA



Desde criança eu tive, digamos assim, um “espírito livre” e falava pra minha família coisas do tipo – Não quero me casar e não quero ter filhos, quero ter minha independência financeira e emocional, quero sair pra onde eu quiser do jeito que eu quiser e na hora que eu quiser.

Até então a minha visão de casamento era essa, mulher cuida dos filhos e da casa e também trabalha, homem só trabalha, isso dentro do contexto em que eu vivia.

Fui então crescendo e mudando de opinião quanto ao casamento, não que passei a querer do jeito que era, mas que poderia encontrar um homem, porque sou hétero, que não seja como todos os outros, que me respeite e me deixe ser quem sou, uma mulher livre.

E não é que eu encontrei, encontrei um homem que se encaixava nos meus requisitos, então eu me casei, por amor, e sabendo que não estaria abdicando da minha vida. Mas a decisão de não ter filhos continuou e continua até hoje.

Depois de me casar muitas pessoas passaram a me perguntar quando teríamos filhos, ou então nem perguntavam, só afirmavam coisas do tipo “quando vocês tiverem filhos..”. Ninguém perguntava se queríamos ou não ter filhos, apenas questionavam quando seria ou afirmavam que iria acontecer. E isso é muito comum.

Vivemos numa sociedade onde desde criança as meninas são estimuladas a brincar de casinha, elas ganham panelinhas de presente, ganham vassourinhas de presente, carrinhos de bebê de brinquedo e principalmente bonecas que imitam bebês. Eu tive todos esses brinquedos aí, não tive o carrinho de bebê de brinquedo porque minha família não tinha condições de me dar um brinquedo mais caro assim, mas eu tive todos os outros.
Então, quando as meninas crescem, elas “precisam” parar de brincar de casinha, e se tornar a dona de casa e a mãe.

Bom, a diferença na minha vida foi que, além de brincar de tudo isso,  eu também brinquei com todos os brinquedos de menino que eu tive acesso, pois eu tinha um irmão mais novo que eu pouca coisa. Então eu soltei pipa, fiz pipa, brinquei de carrinho, brinquei de bola de gude, brinquei de queimada, brinquei de pique pega, brinquei de polícia e ladrão, brinquei de bete, pique bandeirinha, pique esconde, lutinha, bayblade e etc.

Hoje em dia eu vejo que não deve ter essa diferenciação entre brinquedo de menina e brinquedo de menino, é tudo brinquedo de criança e brincadeiras de criança, enfim.
Além de toda essa liberdade em poder escolher qual brinquedo eu brincaria ou qual brincadeira seria melhor eu também tive exemplo na família. Tive uma tia que morava num lugar melhor, estudou e era independente, não era casada e não tinha filhos. Eu queria ser como ela.

Com o passar do tempo isso foi virando um questionamento na minha vida, será que eu realmente quero viver assim?

Então fui dando razões para minhas escolhas e trarei aqui todas que eu conseguir lembrar, e serão elencadas a seguir:

1 – NÃO QUERO ABANDONAR MINHA LIBERDADE:

Muita gente não gosta de ouvir isso, porque se sente livre mesmo tendo filhos, mas convenhamos que todos somos diferentes e liberdade pra você pode ser uma coisa e pra mim pode ser outra coisa totalmente diferente.

Eu gosto de ser livre, de poder sair a hora que eu quiser, de poder acordar ou dormir a hora que eu quiser, de poder sair de casa sem me programar e não ter hora pra voltar, gosto de poder ir viajar num feriadão, ou então de poder me mudar de cidade porque encontrei algo que me interessa em outra.

Convenhamos que quem tem filhos, tem que pensar sempre neles pra tomar qualquer decisão.

2 – EU NÃO QUERO CUIDAR DE CRIANÇA

Eu já cuidei bastante de crianças, quando era criança cuidava dos meus irmãos mais novos porque meus pais iam trabalhar, quando adolescente passei a cuidar de primos que minha mãe recebia pra cuidar, mas quem cuidava era eu, e também já cuidei de filhos de vizinhos quando eles precisavam de ir em algum lugar.

Resumindo, eu sei bem como é ter que cuidar de criança, dar banho, trocar fralda, ensinar dever de casa, dar comida, dar remédio, passar remédio em machucado, acordar de madrugada pra dar leite e remédio e etc.. Imagina isso a vida inteira, todos os dias?

Foi aí que eu vi que realmente eu não queria isso.

Tem muita gente que gosta disso, e não há problema nenhum, mas eu não gosto e também não tem que haver nenhum problema nisso.

3 – NÃO QUERO GERAR UMA CRIANÇA

Eu sempre sofri com cólicas menstruais terríveis, eu passava mal, vomitava o dia todo, gritava de dor, tinha calafrios e no final acabava no hospital tomando remédio na veia. Não quero sentir dor, não quero sentir enjoo, não quero vomitar e nada disso que uma gestação pode trazer, muito menos parir.

4 – NÃO QUERO VIVER PRA OUTRA PESSOA

Eu sou o tipo de pessoa que muita gente julga egoísta, simplesmente porque eu penso em mim primeiro. Eu não quero ter que cuidar de uma criança, eu não quero ter que me preocupar se a criança está bem o dia todo, eu não quero ter que ficar indo em hospital, escola, parquinho, etc, etc, e etc..

5 – QUERO INVESTIR EM MIM E NA MINHA CARREIRA

Todos nós temos planos para o futuro, algumas pessoas sonham em se casar e ter filhos, outras não.

Eu sonho em ter minha casa, minha carreira decolando e em conhecer o mundo todo. Basicamente essa é a vida que eu quero ter. E uma criança ou mais de uma pode influenciar negativamente no alcance dessas metas.

Sabemos que os pais têm que abdicar muita coisa em prol dos filhos, como deixar de viajar porque o filho não pode ir e etc., deixar de sair porque não tem com quem deixar os filhos ou porque tem que cuidar do filho aquele dia.

6 – EU NÃO QUERO TER FILHOS E DEIXAR UMA PESSOA CRIANDO

Muita gente que almeja o mesmo que eu, deseja também ter filhos e deixa o filho numa creche, com cuidadores e etc., no meu caso, eu sei que se eu tivesse um filho, eu iria querer cuidar, eu iria querer ensinar, eu iria querer ficar com ele, eu não ia deixar simplesmente com alguém o tempo todo e não acho que isso seja saudável pra uma criança.

E é por isso também que não vou colocar um no mundo, porque eu sei que se eu quiser seguir com meus planos eu vou ter que faze isso, terceirizar a criação do meu filho, e não quero.

7 – NÃO QUERO COLOCAR UMA CRIANÇA NESSE MUNDO

A cada dia que passa eu vejo que o mundo está pior, está doente e não é um lugar bom de se viver, eu já passei por tudo na vida, então, não quero fazer uma criança passar por tudo isso também, ou passar por coisas piores.

8 – NÃO QUERO UM CUIDADOR DE IDOSOS PRA MIM

Quando eu falo que não quero ter filhos, muita gente me questiona, “Mas quem vai cuidar de você na velhice?”.

Por favor né gente, se vocês estão tendo filhos com esse objetivo, pare!

Ninguém sabe do futuro, quem garante que você vai viver até chegar na velhice? Quem garante que seu filho vai viver até você chegar na velhice? Quem garante que seu filho vai cuidar de você na velhice?

Tem tanto idoso morando em lar para idosos, ou mesmo morando sozinhos com um cuidador.

A vida não tem um caminho certo, são vários caminhos e vários destinos diferentes, que não nos cabe escolher, apenas aceitar e viver com isso. Eu tenho plena convicção de que posso ficar idosa e sozinha, e tudo bem pra mim.

9 – EU NÃO PRECISO DE UM FILHO PRA ME SENTIR AMADA

Eu não sou carente ao ponto de achar que só um filho vai me fazer feliz, eu sou feliz assim do jeitinho que sou, e acho que vou ser mais feliz ainda conquistando tudo o que eu desejo. Não vou terceirizar minha felicidade, isso só depende de mim, não de outras pessoas.

10 – EU NÃO TENHO MEDO DE ME ARREPENDER

Todas as escolhas que fazemos na vida são passíveis de arrependimento, ou seja, você faz uma faculdade e aí se arrepende de não ter feito outra, mas isso é fácil de consertar né.

Agora, também podemos nos arrepender de escolhas definitivas, como por exemplo de ter tido filhos, muita gente se arrepende de ter tipo filhos, não porque odeiam os filhos, mas percebem que não era isso que queria, e isso é grande parte por conta da maternidade compulsória que nos é enfiado goela abaixo desde criança. É  muito fácil ter filhos, pra maioria das pessoas claro, algumas tem dificuldades.

Eu especificamente, não sinto medo de me arrepender, até porque isso pode acontecer, e eu vou ter que lidar com isso, como eu lido com tudo na minha vida, a vida é feita de escolhas e nós temos que nos acostumar a viver com elas.

Se no futuro, depois de ter vivido boa parte da minha vida, eu sentir vontade de ter filhos, eu quero adotar, não porque seria a única solução, mas porque é algo que eu valorizo muito, como eu disse anteriormente eu não quero colocar uma criança nesse mundo, pra sofrer tudo o que eu já sofri ou mais, mas eu posso adotar uma que já está nesse mundo e tentar minimizar o sofrimento que ela teria, isso é algo que me encanta, e caso eu tenha vontade de ter filhos, em qualquer etapa da minha vida, essa será a primeira opção.

11 – EU NÃO TENHO CURIOSIDADE EM SABER COMO SERIA UM FILHO MEU COM MEU ESPOSO

Acho extremamente egoísta quem decide colocar uma vida nesse mundo só por curiosidade, ou porque acha fofo. Bebês e crianças não são brinquedos, são pessoas que têm personalidade e que precisam viver e passar por inúmeras coisas. Ter um filho só porque quer saber como vai ser é no mínimo ridículo.

12 – EU NÃO DEIXO QUE TERCEIRAS PESSOAS DECIDAM POR MIM

Muita gente me pergunta o que meu esposo acha de tudo isso, quando eu digo que não quero ter filhos.

Vamos lá, já disse anteriormente que eu sou uma pessoa com “espírito livre” e que penso em mim primeiro, ou seja, eu jamais vou deixar que a vontade de outra pessoa interfira na minha vida, ainda mais quando essa vontade não é minha.

Várias pessoas acham que quando você se casa, você tem o dever de partilhar as escolhas com essa pessoa, e não deve ser assim, o casamento deve ser algo feito por amor, não por interesse, se você se casa com interesse de que aquela pessoa viva um vida que você quer viver é egoísmo.

Eu não dou mais valor ao meu casamento do que a mim, ou seja, se meu esposo, algum dia dizer que agora quer ter filhos, e eu continuar não querendo, vou conversar com ele e dizer que continuo não querendo, e que se ele achar que isso é extremamente necessário pra vida dele, ele estará livre pra seguir com a vida que o faz feliz.

Não vou abdicar das minhas escolhas de vida, que me fazem feliz, só pra garantir a felicidade de outra pessoa, isso é um absurdo, como eu disse anteriormente, as pessoas têm que viver pra si, não para os outros. Afinal de contas, sou eu quem vou viver a minha vida, nada mais justo eu fazer as minhas próprias escolhas. 

POR FIM

Essas são algumas das razões de eu ter feito essa escolha, essa é a vida ideal pra mim, é assim que eu sou feliz, é assim que eu quero viver. É óbvio que existem pessoas que são diferentes de mim, e que vivem felizes de outras formas, e isso é maravilhoso. Afinal de contas, viver como a gente quer é muito bom.

Se você é o tipo de pessoa que fica cobrando filhos de outras pessoas, por favor pare, isso é extremamente tóxico e não é você que tem que decidir a vida de ninguém, cuide da sua, viva a sua vida, é muito bom viver a nossa vida, e deixe as outras pessoas em paz. Não seja a pessoa que quer desconstruir um jeito de viver de alguém, se essa pessoa não está interferindo na vida de ninguém, quem é você pra falar alguma coisa?!

E se uma pessoa pensar diferente de você e fazer escolhas diferentes da sua te incomoda, sinto lhe informar, mas você tem algum problema e deve procurar um psicólogo, porque isso não é normal. 

Vamos todos ser felizes, do jeitinho que cada um é feliz, sem dar palpite na vida alheia.

Um beijo e felicidades.

MARIANA SIQUEIRA PAES

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Meu primeiro assédio: O dia em que meu desespero fez um homem gozar.



Eu era apenas uma criança de 12 anos quando tive minha inocência roubada por um homem de trinta e poucos. Naquele momento a única coisa que importava para ele era o tesão que sentia em ouvir meus gritos que eram ocultos por uma porta fechada e paredes em volta de nós.

Eu me lembro bem daquele dia… como eu poderia esquecer?! Mesmo tendo passado cerca de 17 anos, ainda há momentos que estou deitada tentando dormir, mas meus gritos ainda ecoam dentro da minha cabeça e isso me sufoca por alguns segundos onde consigo reviver toda a situação horrível pela qual passei.

Era uma manhã de sábado, minha mãe pediu para que eu fosse até a escola onde ela trabalhava como supervisora e levasse um material da minha tia para fazer encadernação. Nessa época a escola alugava uma salinha para um rapaz e ele tirava xérox, fazia encadernação… dentre outros serviços de papelaria. Eu conhecia ele, ele era legal comigo, sempre conversávamos, ele dizia que eu era muito madura para minha idade e me enchia de elogios. Obviamente eu nunca percebi que ele queria algo à mais com toda essa falácia, até porque eu era só uma criança e não tinha maldade alguma sobre absolutamente nada.

Chegando lá, percebi que por ser sábado não havia ninguém na escola e então me dirigi até a sala de xérox desacreditando que houvesse alguém trabalhando ali. Quando abri a porta me deparei com ele que estava sozinho dentro da sala. Eu era uma menina de 12 anos, mas aparentava ter 8 anos, meu corpo não era nada evoluído e eu estava com uma roupa de vestir em casa. Para ser mais específica: eu usava um shortinho e uma camisetinha, mas quando me viu, me olhou como seu eu fosse uma atriz pornô!


Assim que entrei na sala pude perceber que os olhos dele arregalaram como se tivesse surpreso por estar me vendo ali. Claro, era a ocasião perfeita! Ele me perguntou o que eu estava fazendo ali e eu disse que havia levado um material para encadernação. Ele levantou e se dirigiu até mim, eu estava perto da porta e ele foi até ela e a chaveou, então em seguida me agarrou com tudo, me colocando contra seu peito, tentando me beijar à força. Eu não tinha força suficiente para sair e só conseguia virar meu rosto, era a única forma de me esquivar dele além de pedir para que parasse e perguntar porque ele estava fazendo aquilo comigo. Mesmo assim ele continuou me forçando à beijá-lo, eu mordi os lábios dele e tentei abrir a porta mas ele não deixou, então eu corri para o resto da sala que não tinha nenhuma saída para mim, mas naquele momento qualquer distância era lucro. Ele veio em minha direção e me jogou em cima da mesa, me deitou e pressionou meu corpo contra a mesa com a mão. Eu chorava, desesperada pedindo para que ele parasse com aquilo e me deixasse ir embora, ele tampou minha boca e então me disse com uma voz suave:Calma, porque você tá chorando assim? Não precisa disso! Eu sei que você tá gostando. Não adianta chorar ou gritar, não há ninguém que possa te ouvir, não tem ninguém além de nós dois aqui.” Em seguida ele tirou meu short e depois colocou seu pau para fora, eu fechei os olhos, não queria ver aquilo. Eu sabia que tudo aquilo estava errado, no momento eu estava paralisada pois não sabia o que estava por vir, eu só conseguia sentir medo e o desespero tomava conta de mim. Já ele, por sua vez estava muito calmo e demonstrava muita excitação com tudo aquilo. Eu vi claramente que o meu desespero alimentava o seu tesão.

Ele começou a se masturbar enquanto eu me mantinha chorando, paralisada e cheia de medo. Ele por diversas vezes tentou usar minha mão para masturbá-lo mas eu me recusei, tirei a mão várias vezes e ele continuou sozinho. Ele então me sentou de frente para ele e continuou se masturbando, eu me mantive de olhos fechados e ele disse: “Abra olhos, quero que você veja!”
Eu voltei a pedir para que ele me deixasse ir embora, e então ele ejaculou em cima dos meus pés. No fim, ele disse que eu podia ir embora.

Em momento algum pediu para que eu não contasse à ninguém ou coisa assim. Ele sabia que eu não contaria, ele viu que eu estava num estado de pânico, estava tão assustada que só chorava e pedia para ir embora. Ele sabia o quão traumático aquilo havia sido para mim e sabia que eu jamais falaria sobre aquilo com alguém.


Eu saí dali desnorteada, meus pés grudavam em meu chinelo, eu estava sentindo um mix de nojo e só queria chorar por ter passado por aquilo. Fui para casa, chegando lá levei a maior bronca da minha mãe por conta da demora. Ela nem sequer percebeu meu semblante, apenas brigou comigo por conta da demora e eu ali com os pés grudando de porra e a cabeça à mil.


Depois daquele dia eu nunca mais fui a mesma, eu nunca mais acreditei em elogios, eu nunca mais confiei em ninguém. Eu sempre me lembrava daquilo e mantive isso guardado até poucos meses atrás. Até então somente meu esposo e minha psicóloga sabiam do ocorrido, porém eu resolvi chegar aqui e contar o que me aconteceu naquele dia, sem medo para que vocês mulheres também possam compartilhar suas histórias sem medo ou vergonha. A culpa não é nossa, nunca! 


Mulheres, saibam que estamos todas juntas em nossa luta, não vamos calar nossas vozes. Somos fortes! Denunciem qualquer ato de assédio ou violência sexual, não se calem. E mulheres que assim como eu, passaram muitos anos convivendo com a dor do ocorrido, conversem com outras mulheres, compartilhem suas histórias, busquem terapia e qualquer forma de ajuda. Eu sei como dói conviver com isso por tanto tempo, sei o quanto isso nos destrói. Mas vale lembrar que somos fortes, somos guerreiras e estamos aqui para quebrar todas essas barreiras. Nós por nós, sempre! 



domingo, 3 de fevereiro de 2019

Preto e Branco: A Amizade-Colorida.


Não sei se é um erro ou um grande acerto viver essas fases. É gostosa, por vezes, por estar com a pessoa que você tem tanto a compartilhar. Por vezes, nos traz um gostinho amargo na boca de arrependimento, destruição e até mesmo tristeza.
Já vi casos do melhor amigo se tornar marido e ser a melhor coisa. Como se fosse o paraíso, sabe? Como se fosse a junção do arco-íris de tão bom que era. Obviamente, para chegar a ser marido, foi amigo antes. Mas eu digo daqueles amigos que tu toma cerveja, joga videogame, fala do cara que você gosta e ele te enche de conselhos. E a pergunta é: - Quem é esse cara que tanto te ronda? Que tanto gosta de você, que tanto QUER ALGO com você? Ele diz ser o cara que vai te fazer feliz a vida toda. Falsidade ou ausência de uma amizade imatura bem lá fundo? Acho que o mundo todo tem uma história assim para contar. E as vezes, quando damos a chance que a pessoa tanto quer e diz merecer, a gente não vê um bom resultado, a pessoa mente para te conquistar, inventa muitas coisas. E a pergunta é: - Ele realmente era meu amigo? Com toda a certeza, nós sempre nos sentimos culpados por todo resultado ruim no fim das contas; mas pera ai: Por que se sentir culpado se o erro não lhe pertence? Reflita.
Talvez, você esteja passando por isso nesse momento ou já esteja no estágio “Estou apaixonada(o) pela(o) minha/meu melhor amiga(o), mas não sei o que fazer”. A gente nunca sabe o que fazer quando o assunto é gostar de alguém e justamente por ser amigo, dói muito mais em tomar uma iniciativa, já que “Pode estragar a amizade”.

Na minha adolescência, passei por uma história dessas e foi a pior coisa da minha vida! Eu, com um senso de Justiça completamente dominante, acabei vivendo dentro de um círculo doloroso, mas a pior parte foi: Eu me apaixonei por ele. E agora? Também não sei. Para ajudar o tal “amigo” colocou uma mocinha, em meio a relação, criou toda uma história entre nós para alimentar coisas que a mente e psicológico dele criaram. E não passou de uma rivalidade feminina (falaremos mais a frente aqui no blog) mágoas e muitas tristezas dentro de mim. Parecia um pesadelo, um cárcere psicológico. Pois bem, meses depois, a mocinha pediu desculpas e ficou tudo bem entre nós duas, tudo esclarecido. E a pergunta predominante foi: - O que eu realmente fiz para esse “meu amigo” virar tanto a cabeça e derramar ódio sobre mim?” Já que as coisas poderiam terem sido piores.

Tudo isso gerou um afastamento muito silencioso entre meu “amigo” e eu. Mas ao longo da minha jornada, eu sempre ouvi histórias parecidas e sempre me senti agoniada. Que Diabos de amigos são esses que fazem os amigos sofrerem? “Karma?” “Maldição de Satanás ou Judas?” “Vômito de Pazuzu?” Pois é, nunca sabemos apenas sentimos. Perdi muitos anos entalada com tudo que aconteceu.

Anos depois meu querido e saudoso “amigo,” resolveu sair do guarda-roupas que o levou para Nárnia. Nisso, já Éramos adultos, no caminho de viver uma Maturidade que não é para todo mundo “cientificamente falando”. Me pediu desculpas, disse que se arrependeu, e que não deveria ter causado o vendaval que causou. Eu estava vivendo um outro relacionamento (cruel, abusivo e muito mentiroso, por sinal) e aí? Pela regra da boa psicologia e bondade “Perdoe”, “O perdão liberta”, “As pessoas amadurecem” ou “As pessoas mudam”, e o que a gracinha aqui fez? Aceitou as desculpas… E o outro relacionamento acabou. Chegou ao fim uma caminhada dolorosa porque a história se repetiu. Meu lindo namorado fez a mesma coisa que o meu “amigo” tinha feito anos antes. Sim, parece “Karma”. Passei pela mesma coisa duas vezes com pessoas diferentes e que tanto gostei, claro, o  erro também foi meu (não elimino minha culpa). Que talvez tenha sido grande. Entre dias complicados e outros, me reaproximei do tal “amigo” e acabei realmente gostando dele, e percebi que talvez eu pudesse compreender tudo que aconteceu por um outro prisma, mais filosófico, mais adulto, mais amadurecido. Mas foi tudo o que eu já sabia: Ele continuou adolescente e eu a mulher madura e machucada. Vivemos coisas diferentes, porém terríveis ao mesmo tempo. Virei amiga íntima do chá de Camomila e Transtorno de Ansiedade por muitos dias, mas vejam: Me apropriei do tempo, da boa política quando o assunto é Perdão, enfim fiz tudo que pude para realmente perdoá-lo, mas nada foi o suficiente. Não Retiro minha culpa, nunca, jamais. Se é que ela existe.
De amizade-colorida, ela se tornou Preto e Branco, o que na verdade me faz pensar que nunca deve ter sido colorida… Pensando bem, nunca foi colorida. O que nos faz duvidar até se ela existe… Será mesmo? SIM, EXISTE! Ainda que não se torne namoro ou casamento, existe. Existe quando as pessoas realmente respeitam as outras não seletivamente, mas na maior verdade possível. Se unem para viverem os momentos bons de risos e gargalhadas, e tudo que puderem compartilhar, afinal de contas, amizade boa é assim, não é mesmo? Envolvidos amorosamente ou não, amigo de verdade é aquele que realmente podemos compartilhar e vivermos leves ao lado deles(as). 
  Em suma: Deixamos pessoas falsas, mentirosas, sínicas e doentias entrarem em nossas vidas, porque valorizamos laços que nem são realmente comprovados de que são bons e reais. A confiança, não é algo que se compra em qualquer esquina. E há que diga “- Ah, mas você amadureceu” e eu vos digo: Eu tenho Prudência, caráter e dignidade. Que são coisas bem diferentes de um simples amadurecimento. Eu por proveniência do meu caráter e senso de conduta, não faria com ninguém isso, porque dói e mágoa de uma forma irreparável. Mas existem milhares de pessoas no mundo, né?!
                 Deixo aqui, entre as Camomilas e outras coisas que: - O bom senso de observação, maturidade e força, sempre acompanhe vocês. E que você deve SEMPRE arriscar viver outros amores, o problema é quem você coloca dentro do seu “barco” para caminhar com você! Independentemente de quem seja. Não é questão de laços, anos juntos, famílias que se gostam a questão é a necessidade que realmente há para você ter uma vida feliz, liberta e livre de Decepções. 
 Voltei ao Preto e Branco, da forma mais colorida possível!


                                        


QUANDO FUI ABUSADA PELO MEU PRÓPRIO TIO


Quando eu tinha 12 anos de idade, viajei pra minha cidade natal, e lá acabei indo passear com meus tios em uma fazenda, no início iríamos ficar lá somente durante o dia, mas aí acabou que decidiram passar a noite. Meus pais não estavam lá. 

Então dividiram os quartos da casa, eu ficaria junto com minha tia e mais duas primas em um quarto e os meninos ficariam com esse tio em outro quarto.

Acontece que eles estavam fazendo muita bagunça e esse tio em questão era o que mais fazia, então minha tia, irmã dele, mandou que ele viesse pro nosso quarto, colocasse o colchão dele lá no canto e ficasse quieto. Foi aí que tudo começou. 

Como o passeio era só durante o dia, ninguém levou roupas pra trocar, então eu tive que vestir uma roupa do meu primo emprestada, um short grande dele e estava sem calcinha porque não tinha outra limpa para usar.

Então eu adormeci, estava numa cama de solteiro junto com uma prima minha da mesma idade que eu. 

Sabe aquela sensação que nós temos algumas vezes, de sentir algo que está acontecendo com você enquanto você dorme? Mas não consegue acordar porque o sono está muito pesado. Isso acontece muito com música por exemplo, você escuta determinada música, mas acha que é um sonho e depois que acorda vê que na verdade era uma música que estava tocando perto de você.

Pois então, eu tive essa sensação a noite toda, de uma mão áspera e enorme na minha vagina, acariciando e tocando em cada parte da minha vagina. Acordei várias vezes durante a noite, mas quando eu acordava já não estava mais acontecendo, aí eu voltava a dormir e sentia a mesma coisa, quando eu acordava eu não via nada, era só breu, afinal de contas era uma fazenda, não tinha postes de luz nem nada do tipo. Então eu voltava a dormir, afinal de contas, eu estava com o sono bem pesado. 

Foi aí que amanheceu. Não sei se com vocês também é assim, mas quando chega a manhã eu acordo com muita facilidade, se alguém chegar perto de mim eu desperto. E foi exatamente isso que aconteceu. 

Eu acordei com o meu tio tentando tirar o short que eu estava usando, foi tão rápido que a minha reação foi de bater no rosto dele, eu estava deitada de barriga pra cima e ele por cima de mim tentando levantar a parte da frente do short pra ver a minha vagina e tocar novamente, vai saber. 

Eu dei um tapa com toda a força que eu tinha no rosto dele, sem pensar, e depois tudo que tinha acontecido de madrugada fez sentido, então era ele que estava passando aquelas mãos horríveis em mim. 

Quando eu bati nele, ele saiu de cima de mim, pegou um travesseiro e fingiu que estava acordando todas nós, sim, minhas primas ainda estavam dormindo lá, ou seja, ele pode ter feito isso com todas nós, mas nenhuma delas falou algo pra mim. 

Eu fiquei com tanto medo, eu era uma criança, queria meus pais naquele momento, mas eles não estavam lá, eu não tinha celular pra ligar pra eles e lá sequer tinha sinal de telefone, afinal de contas era uma fazenda. 

Fiquei o restante do tempo lá esperando a hora de ir embora, e advinha com quem eu tinha vindo? Com ele, no carro dele, e pra ir embora só tinha essa opção, eu fiquei com tanta raiva e medo ao mesmo tempo. 

Não me lembro ao certo, pois isso já tem mais de 10 anos, mas eu lembro que depois eu contei isso pra duas primas minhas, mais velhas que eu um pouco, e é claro que não acreditaram em mim, disseram que eu estava enganada, que era só um sonho, e que eu entendi errado, que eu estava confusa. 

Por conta disso achei que ninguém mais acreditaria em mim e não falei pra mais ninguém. 

Eu não cheguei a falar, mas o tempo todo eu agredia esse tio, porque a viagem não havia acabado, ele estava sempre presente, eu batia nele, arranhava com minhas unhas, um dia específico eu arranhei o rosto dele com as unhas e saiu sangue. 

Me repreenderam na frente de todo mundo e eu gritei pra todo mundo ouvir "VOCÊS NÃO SABEM O QUE ELE FEZ" e ninguém quis saber mesmo, nem meus pais quiseram saber, ninguém me perguntou o que ele tinha feito, NINGUÉM.

Um ano se passou e algo parecido aconteceu com minha irmã mais nova, e ela fez exatamente como eu, contou pra mim, mais velha que ela mas não adulta, eu tinha 13 anos de idade. E eu acreditei na mesma hora, e olha só, era outro tio, na mesma cidade em viagem do mesmo jeitinho, dessa vez ele levou ela e outra prima pra ir num córrego e se masturbou pra elas, elas correram. 

Assim que me contaram eu corri na minha mãe e contei tudo pra ela, com isso tomei coragem e contei o que havia acontecido um ano antes comigo. E a mesma história se repetiu. Fica longe deles foi o conselho e nada foi feito. 

Com isso eu cresci revoltada, com medo de sair na rua sozinha, com medo de qualquer pessoa e desconfiada de tudo e de todos. 

Hoje em dia eu tenho medo de sair na rua sozinha, tenho 23 anos e ainda não superei, muitas vezes eu tenho pesadelos, se eu ouvir qualquer notícia de abuso eu tenho pesadelos sobre e acordo desesperada durante a noite. 

Sou casada e em uma certa época eu não deixava meu esposo encostar em mim porque eu imaginava aquilo como um estupro, não fazia sexo com ele por um tempo por conta das consequências psicológicas. 

Melhorei um pouco, mas eu sinto no fundo que isso acabou com a minha vida de um jeito que não tem mais volta, estou tentando lutar e viver com isso, mas é muito difícil. 

Meu sonho é ver ele preso, mas eu não posso provar que ele fez isso agora, estudei e sei que o crime ainda não prescreveu, o crime em si é estupro de vulnerável, então eu tento viver com isso da melhor forma possível, bem longe desse desgraçado.

E com isso aprendi a ouvir crianças ao meu redor, e prestar atenção muito mais nos possíveis abusadores que nos cercam. 

Sexologia Libertina





Libertina por que me desprendi, 
por que parei de me doar ao acaso e tratei de dar espaço para o que EU queria, para o que EU sonhava e para o que EU almejava realizar...
A libertação não foi rápida, fiquei por muito tempo na reabilitação do despudor, do próprio Amor, do autoconhecimento...
Descobri prazer, descobri a mágica do querer, tanto que tenho a coragem de SER assim...
Libertina? Ainda não sei... Depende do ponto de vista...
Só que agora eu digo o que quero, como quero, onde quero e a gente vê, se não for bom pra você, será pra outro, pra outros ou outras, o importante é me fazer bem e a você também, é claro, aqui não tem briga de poder, você entende?
Só uma mudança de prioridades, de qualidade e de visão...
Não tem Rei ou Rainha, nada de monarquia, a parada agora é revolucionar, é extravasar o que a muito tempo estava guardado num grito de orgasmo fingido, de um orgasmo reprimido...

Viva a DEMOCRATIZAÇÃO SEXUAL, onde teu PAU é muito bem vindo, mas para dar prazer e fazer gemer ambos, não só você...

então...

ME FODE
Mas fode com pegada, com propriedade...
Esqueça quem vem por cima ou por baixo...
Vai de quatro, de lado, de bruços, se a perna ficar aberta ou fechada, na hora a gente vê...
Aqui vale tudo...
Tudo o que Eu quiser e você também,  aqui a política da "boa vizinhança" nos convém...
Tudo o que você imaginar, tudo o que eu realizar e vice versa, pois tudo o que você pode dar, eu também posso...
Aqui não existe estirpe, não existe PUDOR, aqui o TABU é quebrado com Desejo...
Uma lambida, três ou vinte, talvez seja o teu limite, o importante é que viemos ao mundo para nos superar...
Sejamos francos, o estrago já foi feito, antes na cama 
eu era a platéia, hoje sou Dona do time inteiro...


Autoria: Thaís Rodrigues.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

  Mais um dia de Mim...

 

Minha roupa curta, encurta a ideia de respeito
Meu nome jogado na lama por não se dar ao "respeito"
Risada da minha derrota, enquanto arroto sofrimento
PESADO!

Meu filho abortado com gosto de lama
Sua pele suada na minha cama com outra de mim!
Ah, mas quem me dera pensar que esse é o fim. 
Parece que eu peso ao fundamento sonhado de ser julgada
Quem tá armada de dor e indiferença? Todas de nós!
Ouço bochicho de que sou a Próxima puta, que luta em seu eu.
Mais um dia que eu, em outra esquina fui morta pelo meu amor: Filho da dor. 
Na Próxima esquina minha história será contada em gargalhadas. Sou Livre!
Mais um dia que se foi, mais um dia de mim.
Mais um dia de dor e mágoa sem fim.
Mais um dia no jornal, na TV, No Mundo.
Não sei se sou vida, ou  se sou Articulável!
E no Clac Boom da tua audácia de nos matar. Eu tomo meu veneno
Ah que desgraça! Mais uma na Praça.



Por: Roberta Souza Pinto


quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

LAQUEADURA – O DIREITO AO PLANEJAMENTO FAMILIAR


Muitas mulheres hoje em dia optam por não ter filhos, algumas inclusive querem tornar essa decisão definitiva no quesito biológico, ou seja, pretendem se tornar estéreis, que também é meu caso.

Em buscas pela internet e depois de ler inúmeros comentários em postagens de mulheres que não querem ser mães ou gerar filhos, foi que eu achei necessário falar sobre o tema, com o intuito de esclarecer dúvidas comuns que vejo por aí.

Deixando claro que possuo conhecimento nessa área, sou formada em Direito e esse tema foi objeto do meu trabalho de conclusão de curso, o famoso TCC.

A primeira dúvida mais comum é relacionada a possibilidade de fazer a laqueadura, e sim é possível. Nossa Constituição Federal, previu o direito ao planejamento familiar, ou seja, nosso direito em decidir como vamos montar nossa família, garantindo para todas as pessoas o poder de decisão de formar família ou não, e de decidir quantos filhos terá ou se não terá nenhum.

Foi então promulgada a Lei n° 9.263 de 1996, apelidada de Lei do Planejamento Familiar. E ela nos traz regras a serem seguidas em relação ao tema.
A primeira regra é a da idade, você pode sim fazer a laqueadura sem ter filhos, e isso pode acontecer a partir dos 25 anos de idade. A lei fala em 25 anos no mínimo ou 2 filhos vivos. Isso quer dizer que, caso você tenha menos de 25 anos de idade, e tenha dois filhos vivos, você então pode fazer a cirurgia (se um de seus filhos faleceu e restou vivo apenas um, então não pode).

A segunda regra é em relação ao consentimento do cônjuge, sim, caso VOCÊ decida que quer se tornar estéril a partir da laqueadura, e por acaso é casada ou vive em união estável, terá que ter o consentimento expresso dessa pessoa que vive com você, esse consentimento deve ser escrito e registrado em cartório.

Muitas mulheres questionam várias coisas, uma delas é que muitos médicos se recusam a fazer esse procedimento cirúrgico, alegando que a mulher é muito nova para decidir sobre algo tão definitivo, mesmo ela possuindo a idade necessária estabelecida por lei. Essa recusa acontece tanto na rede pública de saúde, no SUS, como também na rede privada.

Alguns médicos se recusam também alegando que essa mulher pode mudar de ideia no futuro e não terá mais como voltar atrás. Além de usar o argumento totalmente ultrapassado de que ela vai mudar de ideia caso se case, no caso das divorciadas ou das solteiras, porque o novo parceiro pode querer gerar filhos e ela não vai poder.

Outros médicos desconhecem a Lei em questão e acham que ter 25 anos ou dois filhos vivos não é o suficiente e recusam, alegando que a lei pede outros requisitos. Alguns falam que o requisito é de ter 25 anos e dois filhos, o que está errado, outros falam que é só com 26 anos e por aí vai.

A questão é, se você decidiu o que quer e está certa disso, busque seus direitos, se o médico se recusar, e ele pode, procure outro médico, se o SUS se recusar, o que não pode acontecer, procure seus direitos, procure um advogado ou caso não possua condições para isso procure a defensoria pública de onde mora.

Outros pontos que incomodam bastante, e foi o que me incomodou quando eu li sobre isso, é a questão dos requisitos em si, porque se eu sou maior de idade com 18 anos e sendo maior posso tomar diversas decisões definitivas, como por exemplo ter filhos, algo que acontece antes mesmo da maior idade, porque eu não posso decidir antes que não quero tê-los?

O ponto mais chocante é o de se tornar necessário que o cônjuge ou companheiro decida se você pode ou não fazer algo que diz respeito somente a você como indivíduo.

Esses pontos já estão sendo questionados no Supremo Tribunal Federal – STF, pois eles contrariam princípios constitucionais que regem o nosso Estado, entre eles o princípio da dignidade da pessoa humana, que visa garantir a todos os brasileiros a dignidade como seres humanos, e isso também inclui a possibilidade de tomar suas próprias decisões sem interferências de terceiros, seja cônjuge, seja o Estado. Ainda não há decisão do STF sobre o tema, mas é bem provável que essa decisão seja favorável e esses requisitos caiam por terra.

Por fim, percebe-se que é difícil conseguir essa cirurgia, pelos motivos citados acima, mesmo que você tenha filhos, mesmo que já tenha idade suficiente e seja mais velha, ainda vamos encontrar pelo caminho vários empecilhos, que vão tentar nos desencorajar.

O que é importante é você não desistir do que quer, porque quanto mais pessoas se rendem a essas imposições mais demorado vai ser pra esse Direito ser respeitado da maneira correta. E caso você perceba que seu direito está sendo ferido, não se cale, sua voz é importante, não só pra você, mas para milhares de outras mulheres que assim como você também querem fazer essa cirurgia e são impedidas de várias formas.


Importante mencionar que esses requisitos valem tanto para mulheres como para homens também, porém a abordagem aqui é para mulheres, por isso foquei apenas na questão da laqueadura, na questão da vasectomia é igual, mas sabemos que homens não são questionados da mesma forma pela sociedade em geral nesse quesito.
Espero ter ajudado com essa informação.

MARIANA SIQUEIRA PAES

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

                                                           Socorro, eu tenho um Clitóris!

          Com esse título você deve estar me achando completamente louca, mas fique calma, a louca está sendo você em nem entender e, talvez, nem aceitar a ideia de que liberdade feminina e/ou empoderamento, vem das partes mais simples do corpo.
Nos tempos hoje, percebemos que vários assuntos e hipóteses são referenciados ao mundo femininoTá e daí? A liberdade é e pode ser o seu maior passo, em busca da sua própria autorrealização. Do que adianta reclamarmos do padrão de beleza, não é verdade? Pois bem, você já se tocou hoje? Já olhou para o seu corpo sem restrições? Já percebeu o quão os pequenos detalhes importam?
Meu corpo, meu lar!- Que esse seja o seu novo mantra. Acerca de 91% das mulheres relatam não obter sucesso em relações sexuais por diversos motivos: Inclusive lubrificação e falta de conforto na hora de inovar. Claro, que podemos e sabemos compreender que existem milhares motivos para que não obtenhamos esse sucesso. Mas será que a culpa também não é nossa? Por acharmos que o Clitóris é apenas um órgão responsável pelo prazer sexual feminino, e ele “que se vire”. Além, de toda a condução sexual que deve ocorrer, nós precisamos nos libertar de todos os Tabus, manas! A vida é muito curta para não nos tornarmos amigas íntimas do nosso próprio corpo, e claro, sermos livres para nos proporcionar prazer!

A autonomia sexual é algo bem interessante e libertador, amar nossa VULVA, se libertar dos padrões impostos pela indústria da Estética e Beleza, e claro: DO PATRIARCADO. Perceba, que é necessário para o seu alto conhecimento a masturbação (ato de conhecimento do que gosta, aguenta e quer vivenciar através do prazer), admiração da sua VULVA, GRANDES e pequenos Lábios e a VAGINA.
Quando passamos a nos libertar de um TABU que nem nasceu com a gente, passamos a perceber que nunca é tarde para o descobrimento. É uma “ordem” qualquer coisa que saia do normal, vamos sempre em busca da ginecologia, Google, e por ai vai. Mas nunca procuramos nos aceitar e perceber que: Até uma informação bem dada, muda tudo. Vamos buscar esse empoderamento. JÁ! Se toque, se conheça, faça as pazes com seu útero, clitóris. Por que eles com toda a certeza, te ajudarão a largar as paranoias que você alimentou a vida toda, achando que: Você depende e precisa de OUTRAS pessoas para lhe proporcionar afetos e carícias (boas carícias) e claro, só a ginecologia para saber o que você realmente tem. Mana, se jogue! Pesquise, troque ideias com outras manas, isso é “mó irado”. Se permita saber quem você é, o que pode e deve aceitar ou não, se permita inovar.  Vai lá, pegue o espelho. Junte-se aos seus atalhos pessoais para conseguir a ascensão que você e seu corpo merecem! Ame seu clitóris, e faça-o seu novo melhor e incrível amigo.



E ai mana? Já fez as pazes e/ou permitiu se tocar hoje?

                                                                Autora: Roberta Souza Pinto